Comissão de Administração Pública discute metas para reduzir mortes e lesões no trânsito

Em 28/06/2018
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Nos últimos três anos, acidentes de trânsito foram responsáveis por quase 20 mortes para cada grupo de mil habitantes em Pernambuco. Até 2028, esse número precisa ser reduzido à metade conforme determina a lei federal que cria o Plano Nacional de Redução de Mortes e Lesões no Trânsito, Pnatrans. Uma audiência realizada essa semana na Alepe pela Comissão de Administração Pública discutiu mecanismos para garantir o cumprimento da meta. A presidente do Conselho Estadual de Trânsito, Simiramis Queiroz, considera que isso só vai ser possível com participação social.

“A gente precisa da conscientização e o apoio da população, em dizer o que ela anseia, cobrar isso e ela se autofiscalizar.”

Ela apresentou os resultados parciais de uma consulta pública disponível no site do Detran. Nas 4600 respostas até agora, os usuários reclamaram das condições das vias, calçadas e faixas de pedestres. Eles também elegeram o uso do celular e do álcool como os comportamentos de maior risco ao volante. Intensificar a fiscalização eletrônica e investir no transporte público estão entre as sugestões mais recorrentes.

Coordenador da Frente Parlamentar de Trânsito e Transporte da Assembleia, o deputado Eduíno Brito, do PP, defendeu leis mais rígidas para evitar mortes e acidentes. O tenente-coronel Fábio Bagetti, que coordena a Operação Lei Seca no Estado, disse que o número de ocorrências foi reduzido desde que os bloqueios de fiscalização começaram, há sete anos. Hoje são realizadas, em média, 200 ações por mês, com a abordagem diária de mais de mil motoristas.

“A gente vê realmente uma mudança de comportamento do condutor, mas é um trabalho que tem que ser contínuo. Se nós relaxarmos, o povo tem a percepção de que a operação está faltando nas ruas e o pessoal volta a fazer uso do álcool e dirigir.”

A gerente de Doenças e Agravos não Transmissíveis da Secretaria da Saúde, Sandra Barbosa, traçou o perfil das vítimas fatais do trânsito: 85% são homens em idade produtiva. Já entre os idosos, as mulheres são maioria. Motocicletas respondem por quase metade dos acidentes de transporte terrestre. Presidente do Colegiado de Administração, o deputado Lucas Ramos, do PSB, ressaltou que o problema é um dos mais graves da saúde pública e precisa ser tratado com seriedade.

“Nós sabemos o quanto é oneroso, especialmente para a saúde pública do nosso estado, as pessoas que são vitimadas a partir de acidentes de trânsito e que isso tem sido realmente encarado pelo poder público como um dos mais sérios.”

As metas estaduais devem ser enviadas ao Conselho Nacional de Trânsito até primeiro de agosto. A conclusão dos trabalhos em Pernambuco depende da consolidação dos dados de 2017 e da consulta pública que ficará disponível no site do Detran até o próximo dia 15 de julho.